PERSONALIDADES

Elie Wiesel

Roménia/EUA

Elie Wiesel, um dos mais famosos sobreviventes do Holocausto e escritor que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1986, morreu aos 87 anos, nos EUA a 02 de Julho de 2016.

Wiesel nasceu a 30 de Setembro de 1928, na cidade romena de Sighetu Marmatiei (nessa altura, localizada em território da Hungria), tendo sido enviado para o campo de concentração de Auschwitz com a família em 1944, após a invasão germânica da Hungria.

A mãe e a irmã mais nova seriam vítimas mortais nas câmaras de gás. Wiesel e o pai, que acabaria vitimado pela fome, foram transferidos para Buchenwald. 

Com 17 anos, Elie Wiesel e duas irmãs mais velhas foram libertados pelo Exército norte-americano. Após a libertação foram viver para Paris, onde Wiesel estudou na Universidade da Sorbonne, chegando a exercer a profissão de jornalista.

Ao longo da vida escreveu cerca de seis dezenas de livros - "Noite", de 1955, que conta as experiências vividas nos campos de concentração, é a sua obra mais conhecida.

Trabalhou sempre em defesa do povo judeu e do estado de Israel. Há dois anos, a possibilidade de ser chefe de Estado israelita chegou a colocar-se, mas Elie Wiesel terá recusado exercer a função. Além do Nobel recebeu ainda condecorações como a Legião de Honra em França, a distinção como Cavaleiro da Ordem do Império Britânico por parte da rainha Isabel II de Inglaterra ou a medalha presidencial da Liberdade nos Estados Unidos.

Irmãos Sequerra

Portugal

Samuel e Joel Sequerra, irmãos gémeos, nasceram em Faro a 24 de Agosto de 1913. Durante a sua existência fizeram silêncio sobre as vidas que resgataram à máquina de morte do Terceiro Reich. Na Espanha franquista, enquanto emissário daAmerican Jewish Joint Distribuition Committee (JDC), Samuel Sequerra formou uma equipa de voluntários, na qual se integrou o seu irmão gémeo Joel, que, a partir de Barcelona, davam assistência e socorriam refugiados que se encontravam retidos nos postos fronteiriços, prisões, esquadras e campos de concentração ao longo da fronteira franco-espanhola.Samuel encarregava-se dos contactos e de estabelecer ligações de proximidade com as autoridades e as instituições. Embaixadores , ministros, chefes de polícia, diretores de hospitais e de prisões. Joel era um operacional de terreno e deslocava-se aos lugares onde os refugiados estavam internados.Localizadas as pessoas, os irmãos Sequerra, cumpriam todos os procedimentos que conduziam à sua libertação. Providenciavam acomodação, assistência sanitária, roupa, mantimentos, documentos e vistos para sair de Espanha em segurança.Para libertar os refugiados todos os expedientes eram válidos. Passaportes falsos, casamentos de conveniência, subornos. Como alternativa última ao risco de deportação forçavam-se cirurgias, com caráter de urgência, ao apêndice. Quando as hipóteses de obter documentos esgotavam os refugiados eram endereçados para Portugal onde a seção de Assistência aos Refugiados da Comunidade Israelita de Lisboa os recebia e encaminhava para outros pontos do país enquanto tentavam encontrar uma solução.Alvos de dois atentados, levados cabo por agentes da Gestapo, um dos quais fez detonar o carro de Samuel, estacionado em frente ao escritório da (JDC), os dois irmos não se deixaram paralisar pelo perigo e julga-se que a sua audácia os teria mesmo levado a atravessar os territórios ocupados pelos alemães para acompanhar o resgate de refugiados desde Bruxelas. Terminada a Guerra, Samuel e Joel, regressaram a Lisboa e nos anos 50 emigraram para o Brasil.

Anne Frank

Holanda

Annelies Marie Frank nasceu a 12 de junho de 1929 e faleceu em fevereiro de 1945) foi uma adolescente alemã de origem judaica, vítima do Holocausto. Ela tornou-se uma das figuras mais discutíveis do século XX após a publicação do Diário de Anne Frank (1947), que tem sido a base para várias peças de teatro e filmes ao longo dos anos. Nascida na cidade de Frankfurt am Main, na República de Weimar, ela viveu grande parte de sua vida em Amsterdão onde perdeu sua cidadania alemã. Sua fama póstuma deu-se graças aos documentos em que relata suas experiências enquanto vivia escondida num quarto oculto, ao longo da ocupação alemã nos Países Baixos, durante a Segunda Guerra Mundial.

Janusz Korczak

Polónia

Janusz Korczak nasceu emVarsóvia, no dia 22 de julho de 1878 ou 1879, e foi assassinado em Treblinka, no dia 5 ou 6 de agosto de 1942. Foi médico,pediatra, pedagogista, escritor, autor infantil, publicista, activista social, oficial do Exército Polaco. Passou os últimos anos da sua vida no gueto de Varsóvia. No gueto retomou a escrita regular do seu diário iniciado em 1939. Anteriormente e durante dois anos, não escrevera nada, visto que canalizara toda a sua energia para a educação das crianças de Dom Sierot e para outras atividades relacionadas com a situação das crianças no gueto. O diário foi publicado pela primeira vez em Varsóvia, em 1958. A última anotação tem a data de 4 de agosto de 1942.Na manhã de 5 ou 6 de agosto de 1942, o terreno do chamado Pequeno Gueto foi cercado pelas tropas da SS e por polícias das forças ucranianas e letãs. Durante a chamada Grande Ação, ou seja, a principal etapa de exterminação da população do gueto de Varsóvia por parte dos Alemães, Korczak recusou, pela segunda vez, a proposta para se salvar por não querer abandonar as crianças e os funcionários de Dom Sierot. No dia da deportação do gueto, Korczak acompanhou o cortejo dos seus educandos rumo ao Umschlagplatz, de onde partiam os comboios para os campos de extermínio. Nesta marcha seguiam cerca de 200 crianças e algumas dezenas de educadores. Janusz Korczak morreu juntamente com os seus educandos no campo de extermínio nazi de Treblinka. No ano de 1948, foi postumamente agraciado com a Cruz de Cavaleiro da Ordem da Polonia Restituta.

Irena Sendler

Polónia

Irena Sendler nasceu em Varsóvia a 15 de fevereiro de 1910 e faleceu na mesma cidade a 12 de maio de 2008. Também conhecida como "O Anjo do Gueto de Varsóvia," foi uma ativista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial, tendo contribuído para salvar mais de 2.500 vidas ao conseguir que várias famílias escondessem filhos de judeus no seio do seu lar e ao levar alimentos, roupas e medicamentos às pessoas barricadas no gueto, com risco da própria vida.

Aristides de Sousa Mendes

Portugal

Aristides de Sousa Mendes nasceu em  Cabanas de Viriato a 19 de julho de 1885 e morreu em Lisboa a 3 de abril de 1954). Foi um cônsul Português. Enquanto Cônsul de Portugal em Bordéus no ano da invasão da França pela Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial, desafiou ordens expressas do ditador António de Oliveira Salazar que acumulava a função de ministro dos Negócios Estrangeiros, e durante cinco dias concedeu milhares vistos de entrada em Portugal a refugiados de várias nacionalidades que desejavam fugir da França em 1940. Embora algumas fontes apontem o número de judeus salvos do Holocausto por Sousa Mendes na ordem dos dez mil, num total de trinta mil refugiados a quem terá passado vistos, estudos levados a cabo pelo historiador Avraham Milgram, da Yad Vashem, sugerem que o número seja inferior .

Chiune Sugihara

Japão

Chiune Sugihara nasceu a 1 de janeiro de 1900 e morreu a  31 de julho de 1986) foi um diplomata japonês que durante a Segunda Guerra Mundial ajudou os judeus radicados na Lituânia a saírem do país, então ocupado pelas tropas nazis, fornecendo-lhes milhares de vistos de trânsito para que pudessem viajar para o Japão.

Muitos dos judeus eram da Polónia ou residentes na Lituânia. Sugihara concedeu vistos na qual facilitaram a fuga de mais de 6000 refugiados judeus para o território japonês, arriscando-se a sua carreira e a vida de sua família. Foi destituído de suas funções pelo governo, uma vez que seu país era parte do Eixo. Passou a ganhar a vida como tradutor. Recebeu de Israel o título de Justo entre as nações pelo seu trabalho que salvou a vida de vários judeus.

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